{D. postando posts esquecidos}
– Uúúúúúúhh! Está amanhecendo!
Pulo da cama de areia num salto invejável, louca para ver o Saara com luz. O guia – ou batucador fajuto, como preferir – apressa todo mundo pra montar nos camelos. A gente atende rapidinho, não podemos perder tempo.
Fila de camelo, sobe e desce de duna, bunda doída do dia anterior.
Quando será que ele vai subir numa duna e a gente vai assistir o incrível nascer do sol? Hem, hem? Eu li isso em diversas descrições de viagens e também no encarte da agência – tudo bem que era uma xerox colorida vagabunda mas era um encarte.
Ansiedade total.
Uma hora de dunas e nada ele subir numa daquelas gigantes. Esquisito. Mas o espetáculo estava lindo, céu azul com a lua, agora pequenininha, ainda no céu. E uau! O sol começa a nascer no Saara. As dunas vão ficando cor de laranja e depois cor de fogo e o céu muda de cor três vezes. Meu Deus, meu Deus, que lindo. Temos que parar logo, temos que parar para deitar na areia, admirar a natureza e respirar aquele momento único! Quero ter um tempo só pra mim e o sol está subindo e daí vai ficar insuportável de calor. Que desespero.
Mas, mas…tô vendo o hotel de onde saímos com os camelos no dia anterior? É isso? Como assim? Hahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh. Que brincadeira sem graça é essa?
Mas não era brincadeira. Aquilo tinha sido o deserto, acabou. Já.
Juro, fiquei passada e não tive reação. Meus companheiros de viagem acharam meio frustrante mas razoavelmente honesto. Mas pelas referências que peguei posso dizer com certeza: não foi honesto. Eu não aproveitem o Saara do jeito que imaginei, do jeito que me venderam. Tudo bem, eu sempre imagino demais mas daí foi Saara de menos!
Não me perdoo por não ter surtado e feito o cara subir numa daquelas dunas na marra mas só saquei a furada quando a gente já estava fora das dunas, no ponto de partida, de volta pra Marrakech.
Triste. Assim termina meu Saara.
Pior que agora nasceu uma nova viagem dentro da minha cabeça. Vou ter que visitar as dunas de Wadi Rum ou o Saara da Namíbia (tem como ir pro deserto da Namíbia sem ir pra Namibia?). Ou talvez volte pro Marrocos via Erfoud pra conhecer outro lado do país e passe um dia inteiro nas dunas, talvez sem dormir. Mas desta vez quero um deserto fake, se for pra dormir tem que ser uma cabana chique, cama e se possível banho de canequinha, por favor.
P.S. Por via das dúvidas não indico a Sahara Expeditions – que foi indicada para mim porque deu certo pra outros. Risca do caderninho agorinha mesmo, pode acontecer com outra agência porque este é o Marrocos mas pelo menos desta você está avisado.

A saída do acampamento

Os primeiros raios de luz

Mudou a luz. Se olhar com boa vontade dá pra ver algumas pessoas no alto das dunas. Juro que já quis ser uma delas mas vai saber os problemas que elas tem? Então, retirei meu desejo e guardei a vontade de subir a duna e com meus próprios problemas, melhor assim.

Dunas, como lençóis vermelhos.

Nós nas duas. Gosto de pensar que por algum tempo fiz parte dele, o Grande Saara.
Leia todas as partes desta história nos links abaixo:
Parte 1 Uma excursão pro Saara e seus personagens
Parte 2 Um deserto pela janela da van sem ar-condicionado
Parte 3 Mais deserto da janela da van sem ar-condicionado
Parte 4 Um deserto só meu
Parte 5 Sol, areia, suor e estrelas
Parte 6 Aniversário e mico no deserto
Parte 7 Deserto escatológico
Parte 8 O deserto que não vi, ou quase isso